Joaze Bernardino-Costa
Uma das questões mais relevantes nos trabalhos sobre pensamento decolonial se relaciona à tríade da colonialidade do ser, do saber e do poder. Em outra oportunidade (Bernardino-Costa & Grosfoguel, 2016), em diálogo com a pergunta feita por Stuart Hall dirigida aos chamados estudos pós-coloniais, perguntamo-nos “quando foi o decolonial?” Apontamos como resposta o seguinte: “O decolonial como rede de pesquisadores que busca sistematizar conceitos e categorias interpretativas têm uma existência bastante recente. Todavia, isso responde de maneira muito parcial à nossa pergunta, uma vez que reduziria a decolonialidade a um projeto acadêmico. Para além disso, a decolonialidade consiste também numa prática de oposição e intervenção, que surgiu no momento em que o primeiro sujeito colonial do sistema mundo moderno/colonial reagiu contra os desígnios imperiais que se iniciou em 1492” (Bernardino-Costa & Grosfoguel, 2016: 16-17). Naquela ocasião, também indicamos que, mesmo sem utilizar o termo colonialidade e/ou decolonialidade, já era possível identificar ideias que giravam em torno do projeto decolonial na longa tradição do pensamento e ativismo negro diaspórico, por exemplo. Não à toa, intelectuais proeminentes na sistematização do pensamento decolonial, tais como Nelson Maldonado-Torres (2018) e Ramón Grosfoguel (2018), fazem constante menções a autores/as como Oliver Cox, Cedric Robinson, Steve Biko, Frantz Fanon, Aimé Césaire, Angela Davis, bell Hooks, Sylvia Wynter etc., como intelectuais comprometidos/as com um projeto decolonial. Obviamente, levando em consideração a tradição dos/as intelectuais negros/as brasileiros/as, poderíamos adicionar a esta lista autores e autoras como Abdias do Nascimento, Clóvis Moura, Guerreiro Ramos, Lélia González, Beatriz do Nascimento, Sueli Carneiro, Cida Bento etc.
Palavras-chave: Frantz Fanon. Colonialismo. Zona do não-ser. Corpo. (In)visibilidade.


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