Bruna Cristina Jaquetto Pereira
Joaze Bernardino-Costa
Em julho de 2019, a socióloga estadunidense Patricia Hill Collins veio ao Brasil pela primeira vez após a publicação de seu livro mais conhecido, Black feminist thought, em português, 19 anos após sua publicação original. Esta não foi a primeira visita de Collins ao Brasil, mas a importância dessa viagem em particular se deve ao maior alcance dos estudos produzidos por e sobre mulheres negras no país.
Pensamento feminista negro (2019) ocupa um lugar de destaque na expressiva produção acadêmica de mulheres negras brasileiras e estadunidenses, que vai ganhando espaço no universo intelectual brasileiro – ainda que de modo tímido e lento -, por dois motivos. O primeiro é o conteúdo das análises e as releituras que a obra propõe sobre a história e a sociedade estadunidense. O segundo, certamente mais valioso para quem não se interessa imediatamente pela situação dos Estados Unidos, são as sólidas contribuições do livro para uma forma de pensar, produzir teoria social e conhecimento que valoriza experiências e perspectivas de sujeitos que foram (e ainda estão) majoritariamente excluídos ou marginalizados pelas ciências sociais. Collins defende que centralizar tais vozes – particularmente, as vozes das mulheres negras – é um caminho para conferir visibilidade à natureza parcial de teorias sociais que se presumem universais, ao mesmo tempo em que permite a emergência de lentes inovadoras para olhar e analisar a realidade.
Como a obra de outras intelectuais negras, a produção de Collins defende abertamente a associação entre conhecimento e justiça social, reformulando noções tradicionais de objetividade, poder e autoridade na produção acadêmica. Que perguntas não têm sido feitas? Quais pontos de vista não têm sido considerados? Quais histórias ainda não foram contadas? Essas e outras questões presentes no livro certamente merecem ampla reflexão no âmbito das universidades brasileiras.


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